Territórios do interior
Exposições de Fábio Baroli e Gustavo Torrezan apresentam diferentes leituras sobre a cultura, a paisagem e as transformações do interior brasileiro.
A Cerrado apresenta simultaneamente as exposições Interior, de Fábio Baroli, e Modernização conservadora, de Gustavo Torrezan, com curadoria de Divino Sobral. As mostras partem de pesquisas ligadas ao interior brasileiro e abordam aspectos culturais, sociais e ambientais relacionados à paisagem e às transformações do campo. A abertura acontece em 13 de junho, às 10h.
Em Interior, Fábio Baroli dedica-se a pintar a vida da região do Triângulo Mineiro. Sua produção reúne um repertório de assuntos ligados à cultura caipira, e as obras apresentadas na exposição transitam entre a pintura de costumes, a natureza-morta e a paisagem.
Ao abordar o cotidiano de pequenas cidades, a paisagem do cerrado e elementos da cultura popular, como o fuxico, Baroli desenvolve uma produção ligada às experiências e aos modos de vida do interior. Em parte das obras, as queimadas e as transformações da paisagem rural introduzem reflexões sobre o uso da terra.
Em Modernização conservadora, Gustavo Torrezan investiga aspectos políticos, econômicos e sociais relacionados ao campo brasileiro. Tomando como referência o conceito que dá nome à exposição, o artista reflete sobre os efeitos da modernização agropecuária ocorrida sem modificações significativas na estrutura fundiária, processo que contribuiu para a concentração da posse da terra, o êxodo rural e danos ambientais de larga escala.
As obras reunidas na mostra promovem um encontro entre o procedimento manual da pintura e a técnica industrial do desenho gravado a laser. Inspiradas em paisagens do interior paulista, elas estabelecem relações entre representação da paisagem, exploração dos recursos naturais e os processos de modernização do campo.
Em conjunto, as exposições colocam em diálogo diferentes abordagens sobre o interior do país, aproximando questões ligadas à cultura caipira, à paisagem e ao uso da terra.
Fábio Baroli
Fábio Baroli (Uberaba/MG, 1981) vive e trabalha em sua cidade natal. Bacharel em Artes Visuais pela Universidade de Brasília (UnB) e mestre em Poéticas Visuais pela Universidade de São Paulo (USP), desenvolve uma produção centrada na pintura, por meio da qual investiga aspectos da cultura e dos modos de vida do interior brasileiro. Foi contemplado com premiações como o Prêmio Marcantonio Vilaça Funarte (2013) e o Prêmio Funarte de Arte Contemporânea (2012).
Entre suas exposições recentes, destacam-se Anti heroes (Villa Merkel, Alemanha, 2026), Horizonte Cerrado – viver no centro do mapa (Centro Cultural da Justiça Federal, 2025), Aqui estou: corpo, paisagem e política (Museu Nacional da República, 2023) e Brasilidade: pós-modernismo (CCBB, 2021).
Gustavo Torrezan
Artista, pesquisador e educador, nascido em Piracicaba/SP (1984), vive e trabalha em Belo Horizonte/MG, onde leciona na Escola de Belas Artes da UFMG. Doutor em Artes Visuais pela Universidade Estadual de Campinas (2017) e pós-doutor pela PUC-SP (2021), desenvolve pesquisa em artes visuais a partir de questões políticas, econômicas e sociais relacionadas ao campo brasileiro e às transformações da paisagem. Sua produção articula pintura e desenho, incorporando procedimentos industriais para investigar processos de modernização agrícola, concentração fundiária e impactos ambientais.
Entre suas exposições recentes, destacam-se Histórias das Ecologias (MASP, 2025), Quem conta a história? (Pinacoteca de Piracicaba, 2024), As vidas da natureza morta (Museu Afro Brasil, 2024) e o 34º Panorama da Arte Brasileira (MAM São Paulo, 2022).
Curadoria
Divino Sobral é crítico de arte e curador, com pesquisa dedicada à produção moderna e contemporânea brasileira, especialmente do Centro-Oeste. Foi diretor do Museu de Arte Contemporânea de Goiás (2011–2013) e recebeu prêmios como o Maria Eugênia Franco (ABCA, 2022) e o Marcantonio Vilaça (CNI SESI SENAI, 2015). Atualmente, é diretor artístico da Cerrado Galeria, além de curador do programa de residência artística do NACO.
Serviço
Exposições: Interior, de Fábio Baroli, e Modernização conservadora, de Gustavo Torrezan
Curadoria: Divino Sobral
Abertura: 13 de junho de 2026, 10h
Período expositivo: 13 de junho a 01 de agosto de 2026
Local: Cerrado Galeria – Rua 84, nº 61, Setor Sul, Goiânia – GO
Visitação: segunda e sexta, das 10h às 19h; sábado, das 10h às 13h
Entrada: gratuita