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Cerrado Galeria inaugura primeiras exposições individuais de Alice Lara e Renato Rios em Goiânia

04 agosto 2026

Abertura do novo ciclo expositivo acontece em 8 de agosto, às 10h; com curadoria de Divino Sobral, mostras permanecem em cartaz até 26 de setembro, sempre com entrada gratuita

No dia 8 de agosto, sábado, a partir das 10h, a Cerrado Galeria abre as portas para seu novo ciclo expositivo com duas mostras simultâneas – O voo silencioso do pássaro de fogo, de Alice Lara, e Dentro da estrela azulada, de Renato Rios, ambos artistas brasilienses que realizam suas primeiras exposições individuais na capital goiana. A curadoria das mostras é assinada por Divino Sobral, também diretor artístico da Cerrado Galeria. As obras ficam expostas até 26 de setembro, e a entrada na galeria é gratuita.

Refletindo sobre os aspectos da cultura sertaneja relacionados ao agronegócio, Alice Lara apresenta em suas obras um imaginário visual que incorpora elementos recorrentes desse universo. Chapéu, boné, fivela, caminhonete, motocicleta, cavalo, boi e terra vermelha são tratados como símbolos de masculinidade, dominação e propriedade. Suas pinturas apresentam figuras exclusivamente masculinas, discutindo temas como machismo, relações de poder e feminicídio. Seu trabalho faz, ainda, referência à música sertaneja, o que inclui o nome da mostra, inspirado na canção da cantora Paula Fernandes.

“Alice Lara constrói um olhar ao mesmo tempo crítico e poético sobre o universo masculino associado aos valores do agronegócio e à estética agropop/sertaneja. A artista questiona relações de poder, identidade e os papéis desempenhados pelas mulheres nesse contexto”, explica Divino Sobral.

Alice Lara acredita que o tema ativará uma memória afetiva no público. “O fato da exposição acontecer na capital goiana, epicentro da cultura sertaneja, deve trazer novas perspectivas sobre o assunto. Nesse trabalho, pude pensar de forma mais clara alguns elementos, como os animais tentando reaver o seu espaço, a forma com a natureza revida sua exploração ou ainda o sofrimento dos sujeitos envolvidos na cultura agro”, afirma.

Já em “Dentro da estrela azulada”, Renato Rios referencia lembranças familiares, especialmente ligadas às avós, que lhe transmitiram conhecimentos sobre plantas, ervas e práticas de cura. O título da mostra foi emprestado do subtítulo do álbum Muito (1978), de Caetano Veloso, enquanto as obras abordam a relação entre espiritualidade, natureza, memória afetiva e contemplação, reunindo formas geométricas como estrelas, elipses, triângulos e hexágonos.

Segundo Ricardo Resende, crítico e curador de arte que assina o texto curatorial da mostra de Rios, a cor ocupa um papel central na pesquisa do artista, que encontra inspiração nas cores, aromas e nuances das infusões de ervas e chás. “A pintura de Renato Rios nos convida a desacelerar o olhar. É uma obra construída na escuta, no silêncio e na contemplação, em que as relações entre cor, natureza e espiritualidade revelam uma pesquisa profundamente comprometida com a experiência sensível”, Destaca.

Para Renato Rios, a exposição também propõe uma pausa diante do ritmo acelerado da vida contemporânea. “Vivemos cercados por informação, tecnologia e cobranças por produtividade. Com essas pinturas, espero abrir um espaço de contemplação para quem as vê e lembrar, ainda que por um instante, que a vida está lá fora e aqui dentro também”, ressalta. O artista conta ainda que “Dentro da estrela azulada” reúne trabalhos produzidos nos últimos anos, entre eles obras ainda inéditas para o público.

Não por acaso, as duas exposições são assinadas por artistas brasilienses cuja produção mantém estreita relação com o Centro-Oeste brasileiro, tema diretamente convergente com a linha curatorial da Cerrado Galeria. Embora abordem universos distintos, Alice Lara e Renato Rios encontram nesse território um ponto de partida comum para investigar memória, cultura, natureza e modos de existência por meio da Pintura.

Sobre Alice Lara

Alice Lara (Brasília/DF, 1987) vive e trabalha em Vicente Pires/DF, onde mantém seu ateliê e desenvolve atividades pedagógicas. Bacharel e licenciada em Artes Visuais pela Universidade de Brasília (UnB), é mestre em Poéticas Visuais pela Universidade de São Paulo (USP). Foi indicada ao Prêmio Pipa (2020) e recebeu, entre outros reconhecimentos, o Prêmio Aquisição do 22º Salão Anapolino de Arte (2016) e o Prêmio Especial do Arte Pará (2012).

Entre suas exposições recentes, destacam-se Fervor (Paço das Artes, São Paulo/SP, 2024), O rei do gado & o Fastio da terra (Asfalto Galeria, Rio de Janeiro/RJ, 2024), As ordens do paraíso (Centro Cultural São Paulo, 2021) e as coletivas Abolicionistas brasileiras (Centro Cultural São Paulo, 2026), Mulheres artistas: acervo em expansão (Museu Nacional da República, Brasília/DF, 2025) e O centro é o oeste insurgente (Cerrado Cultural, Brasília/DF, 2024).

Sobre Renato Rios

Renato Rios (Brasília/DF, 1989) vive e trabalha em São Paulo/SP desde 2016. Bacharel em Artes Visuais pela Universidade de Brasília (UnB), desenvolve uma produção em pintura que investiga as relações entre cor, natureza, espiritualidade e contemplação. Participou da Residência Artística da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) e recebeu o Prêmio Aquisição do 48º Salão de Arte Contemporânea Luiz Sacilotto e o Prêmio de Arte Contemporânea Espaço Piloto.

Entre suas exposições recentes, destacam-se O elefante e a safira (Galeria Estação, São Paulo/SP, 2024), Cruzeiros (Galeria Múltiplo, Rio de Janeiro/RJ, 2023), Toca-peles (Galeria Index, Brasília/DF, 2023) e Canção sublime, notas para o infinito (Galeria Claraboia, São Paulo/SP, 2025). Suas obras integram os acervos do Museu de Arte de Brasília (MAB), do Museu de Arte do Rio (MAR) e do Museu Casa do Olhar.

Curadoria

Divino Sobral é crítico de arte e curador, com pesquisa dedicada à produção moderna e contemporânea brasileira, especialmente do Centro-Oeste. Foi diretor do Museu de Arte Contemporânea de Goiás (2011–2013) e recebeu prêmios como o Maria Eugênia Franco (ABCA, 2022) e o Marcantonio Vilaça (CNI SESI SENAI, 2015). Atualmente, é diretor artístico da Cerrado Galeria, além de curador do programa de residência artística do NACO.

Sobre a Cerrado Galeria

A Cerrado Galeria atua no campo da arte contemporânea com foco na descentralização do circuito brasileiro. Sua atuação se desdobra entre Goiânia e Brasília: na capital goiana, ocupa uma casa modernista projetada por David Libeskind, com 500 m² adaptados para exposições simultâneas; no Lago Sul, em Brasília, mantém uma chácara que acolhe exposições e projetos culturais de diferentes escalas. Inaugurada em 2023, a galeria desenvolve um programa que articula diferentes gerações e linguagens, promovendo exposições, ações educativas e atividades com artistas, curadores e críticos de arte.

Serviço

Exposições: O voo silencioso do pássaro de fogo, de Alice Lara, e Dentro da estrela azulada, de Renato Rios
Curadoria: Divino Sobral
Abertura: 08 de agosto de 2026, 10h
Período expositivo: 08 de agosto a 29 de setembro de 2026
Local: Cerrado Galeria – Rua 84, nº 61, Setor Sul, Goiânia – GO
Visitação: segunda e sexta, das 10h às 19h; sábado, das 10h às 13h
Entrada gratuita