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Goiânia

PAULO PIRES – O SER DA PEDRA
Curadoria: Divino Sobral
23 de abril a 30 de maio

O nome de Paulo Pires vem extrapolando os limites de seu estado de origem, Mato Grosso, e conquistando visibilidade no cenário nacional, estando cada vez mais presente no circuito de arte contemporânea. Com mais de duas décadas de produção, suas esculturas em pedra são relevantes pela singularidade do seu repertório, pela inventividade formal e pela maturidade conquistada com muito labor, expressando profundas ligações com a materialidade da terra, assunto significativo na disputa territorial, econômica, política e simbólica levada a cabo na região Centro-Oeste, onde a ideia de progresso é conectada ao desenvolvimento do agronegócio.

Extraída da pedra, a escultura de Paulo Pires lembra a palavra seca e dura da poesia de João Cabral de Melo Neto. Ambos são artistas potencializadores das imagens contidas na pedra e são autores de obras marcadas por economia, concisão, rigor e disciplina. Paulo Pires é um escultor que explora as qualidades intrínsecas da pedra, embora recuse o sentido figurado de frieza, insensibilidade e desumanidade atribuído ao adjetivo pétreo, e busque dotar essa matéria de qualidades humanas, relacionadas à energia e à sensibilidade dos corpos envolvidos nas conjunções sociais, privadas e públicas.

Talhadas, como poemas simples e humanistas, suas esculturas nascem dos confrontos travados tanto com as dificuldades impostas pela materialidade quanto com a tradição das formas tridimensionais. A linguagem plástica de Paulo Pires é construída a partir da exploração das propriedades da pedra – secura, dureza, resistência, durabilidade, brutalidade – que se desvelam no lento exercício de observação e de conversação com a pedra, culminando no ato de retirar, pelo desbaste, as figuras contidas no seu interior. No processo do artista, a matéria mineral, inorgânica, ganha vida por meio do gesto orgânico de esculpir, de extrair do informe a forma nele contida.

A escultura de Paulo Pires se impõe por suas peculiaridades: áspera, brutalista, sem excessos, sem detalhamentos, sem maneirismos formais ou superficialidades retóricas; opera com o essencial, buscando alcançar a alma da pedra, o sentimento da pedra, o que é próprio da pedra, o ser da pedra – que é em si uma testemunha das idades da Terra. Ele trabalha com a matéria coletada na região sudeste de Mato Grosso, nas imediações de Rondonópolis e de Pedra Preta, lapida o arenito de colorações terrosas e oxidadas, ocres e avermelhadas, até alcançar o corpo contido no interior da pedra, para conferir-lhe vida e espírito, e nesse sentido é um artista que integra a tradição mais arraigada da escultura, aquela que deseja fazer a pedra falar para humanizar a obra.

A escultura de Paulo Pires se mostra atravessada pela tradição, enfatizando valores como massa e volume, e relações como peso e gravidade, equilíbrio e tensão, tendo como único assunto a figura humana, apresentada ora solitária, ora em pares, ora em grandes grupos. No seu imaginário, as figuras se abraçam, se enroscam, se enlaçam, se amontoam, se sobrepõem; comportam-se como se estivessem unidas em torno de uma Torre de Babel ou de uma mesma causa; fazem referências à ambição que move o trabalho do garimpo e da mineração, ou à competição e à colaboração entre corpos; mostram a energia do desejo erótico nas formas dos encontros amorosos e sensuais. Polissêmicas, aludem tanto à solidão quanto às conversas, consolações, namoros, orgias, reuniões, multidões, torcidas, batalhas.

O ser da pedra – Paulo Pires
Curadoria: Divino Sobral
Visitação: 23 de abril a 30 de maio
Cerrado Galeria | Rua 84, nº 61, Setor Sul, Goiânia
Entrada Gratuita